segunda-feira, 11 de maio de 2009

Semioticistas Famosos: Georges Friedmann


Georges Philippe Freidmann foi o fundador do Centro de Estudos das Comunicações de Massa (CECMAS). Nascido no ano de 1902, na França, se formou em Filosofia e fez doutorado em Letras.

Como professor, lecionou diversas disciplinas nas mais váriadas faculdades da França. Entre elas, História do Trabalho, na qual analisou a organização do trabalho na sociedade industrial demonstrando submissão à mesma lógica das condições técnicas de produção por parte de operários de estatuto tão diferente como os soviéticos ou norte-americamos. Valorizou o fator humano e a situação dos operários que tinham como profissão trabalhos monótonos.

Sua obra transformou o ponto de vista das empresas, influênciando o mercado de trabalho até os dias de hoje. As relações humanas ganharam destaque como fator importante na estrutura social levando em consideração a questão da permanente mudança em que se encontrava a sociedade desde aquela época. Seus estudos ajudaram na formação do conceito de “sociedade industrial”.

Livros Importantes:
Alguns deles são: La Crise du Progrès (A Crise do Progresso, 1936); Problèmes Humains du Machinisme Industriel (Problemas Humanos do Maquinismo Industrial, 1946); Villes et Campagne, Civilisation Urbaine et Civilisation Rurale en France (Cidades e Campo, Civilização e Cultura Urbana e Rural na França, 1953); Où va le Travail Humain? (Para onde vai o Trabalho Humano?, 1954); Problèmes de l'Amérique Latine-traité de sociologie du travail ( Problemas da América Latina – Tratados de Sociologia do Trabalho, 1962); Le Travail en Miettes: Spécialisation et loisirs (Trabalho em Migalhas: Especialização e Recreação, 1964); Fin du Peuple Juif? (Fim do Povo Judeu?, 1966); Sept Études sur l'Hommes et la Technique ( Setembro Estudos Sobre Homens e a Tecnologia,1966); La Puissance et la Sagesse (O Poder e a Sabedoria, 1970) e Villes et Campagnes (Cidades e Campo, 1971).

O Centro de Estudos das Comunicações de Massa:
Sua criação foi uma reação à supremacia da mídia americana - queria remediar o atraso da pesquisa francesa na área da comunicação - e objetivava tentar constituir na França um círculo e uma problemática de pesquisa em comunicação. Ele representa a primeira tentativa séria de análisar as relações entre a sociedade global e as comunicações de massa que se integram funcionalmente a ela.

A Escola Francesa era, para um melhor entendimento, um conjunto de intelectuais franceses que se preocuparam com a cultura de massa, indústria cultural e mídia e comunicação. Esses estudiosos discutiam idéias explorando as divergências, brigando por ideologias, visões de mundo e utopias. Era uma perspectiva estruturalista, uma tendência cultural, derivada da Escola de Frankfurt.

O CECMAS privilegiou os sistemas em detrimento de agentes sociais, unificando tipos sociais em modelos sintéticos. Suas principais concepções são do signo ao sentido, do objeto ao sujeito, do espaço ao tempo, da relação ao conteúdo e da cultura à natureza. Suas características mais importantes são: estruturalismo, semiologia, mitologia, cultura de massa, mídia, análise do discurso e língua e línguagem – essa última vista como sendo externo ao indivíduo e disponível na sociedade.
A revista Communications, fundada em 1961 e editada pelos sociólogos do CECMAS.
"A semiologia tem por objeto todo o sistema de signos, qualquer que seja sua substância, quaisquer que sejam seus limites: as imagens, os gestos, os sons melódicos os objetos e os complexos dessas substâncias que encontramos em ritos, protocolos...." (artigo publicado na revista Communications – 1964)

Semioticistas Famosos: Joseph John Campbell


Joseph John Campbell nasceu no dia 26 de março de 1904, na cidade de Nova Iorque.

Apaixonado pela cultura nativa americana desde pequeno, não demorou muito para que sua vida ficasse voltada ao mito e ao estudo das mitologias das diversas culturas humanas.

Estudou na Europa e nos Estados Unidos, entrando em contato com diversas figuras famosas da época como James Joyce, Thomas Mann, Paul Klee, Pablo Picasso, Sigmund Freud, Carl Jung, Wilhelm Stekel, John Steinbeck e Heinrich Zimmer – sendo escolhido para editar e publicar os artigos deste último após a sua morte.

Durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, Campbell dedicou seus estudos ao Sânscrito e a Arte Moderna, além de já dominar a Literatura Medieval. Anos mais tarde ajudou a fundar a Bollingen Press da Universidade de Princeton. Foi professor e autor de diversos livros. Investigou durante toda a sua vida a evolução das religiões.

Morreu no dia 30 de outubro de 1987, aos 83 anos.


Livros importantes:
  • A Jornada do Herói: Joseph Campbell, sua Vida e Obra

  • A Skeleton Key to Finnegans Wake

  • O Herói de Mil Faces;

  • As Máscaras de Deus (4 volumes).


  • Documentário:
  • O Poder do Mito, filmado ao lado de Bill Moyers.


  • Trecho do Livro As Máscaras de Deus:
    "Nenhum adulto hoje se voltaria para o Livro do Gênese com o propósito de saber sobre as origens da Terra, das plantas, dos animais, do homem. Não houve nenhum dilúvio, nenhuma Torre de Babel, nenhum primeiro casal no paraíso, e entre a primeira aparição do homem na Terra e as primeiras construções de cidades, não uma geração (de Adão para Caim), mas milhares delas devem ter vindo a esse mundo e passado a outro. Hoje nos voltamos para a ciência em busca de imagens do passado e da estrutura do mundo. O que os demônios rodopiantes do átomo e as galáxias a que nos aproximam telescópios revelam é uma maravilha que faz com que a Babel da Bíblia pareça uma fantasia do reino imaginário da querida infância de nosso cérebro."


    sexta-feira, 1 de maio de 2009

    Semiótica Peirceana

    A definição de signo como uma ação triádica interpretadora (signo-objeto-interpretante) é o conceito principal da Teoria Geral dos Signos, do matemático, cientista, filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce (1839-1914).

    A Semiótica Peirceana é uma teoria sígnica do conhecimento, de caráter amplamente geral, uma teoria semiótica que se volta ao estudo de todo e qualquer tipo de representação, inclusive das representações da comunicação.


    Fenomenologia Peirceana

    Os modos de operação do pensamento-signo dividem-se em três:

    Primeiridade

    É monádica: não tem unidade nem parte. È indivisível, qualidade da consciência imediata é uma impressão, invisível, não analisável, frágil. Tudo que está imediatamente presente à consciência de alguém é tudo aquilo que está na sua mente no instante presente. O sentimento como qualidade é, portanto, aquilo que dá sabor, tom, matiz à nossa consciência imediata, aquilo que se oculta ao nosso pensamento.

    A Primeiridade é pura possibilidade, aquilo que é em si mesmo sem reação com nenhum outro. Aquilo que ainda não é. É o pode ser. O primeiro é aquilo que é tal que é independente de outra coisa. È o puro sentir. È qualidade de sentimento. È novidade, vida, liberdade. É a sensação pura, sem percepção objetiva, vontade ou pensamento.

    Exemplos:
  • O presente
  • Qualidade de sentir
  • Artista é voltado a primeiridade
  • Nuvens passando formando imagens que logo mudam
  • Secundidade

    É diádica. Real, concreta, factual, atual.

    O simples fato de estarmos vivos, existindo, significa, a todo o momento, que estamos reagindo em relação ao mundo. Existir é sentir a ação de fatos externos resistindo a nossa vontade. A Secundidade está baseada no conflito, ela obriga apensar, da experiência por seu caráter de luta e confronto.

    Na Secundidade, temos o signo degenerado. Algo força o outro a ser o que ele é.

    Exemplos:
  • O estado de vigília
  • Memória
  • Jornalista
  • A dúvida
  • O passado
  • Terceiridade

    Primeiridade é a categoria que da à experiência sua qualidade distintiva, seu frescor, originalidade irrepetivel e liberdade. Segundidade é aquilo que da a experiência seu caráter factual, de luta e confronto. Finalmente, Terceiridade corresponde à camada de inteligibilidade, ou pensamento em signos, através da qual representamos e interpretamos o mundo.

    É triádica. É generalidade, infinitude, síntese, hábito, tempo. È representação. È interpretação do mundo. O terceiro é aquilo que une um primeiro e um segundo em uma síntese através da mediação.

    Exemplos:
  • Pomba branca representando a paz

  • Uma senha

  • Uma insígnia

  • A estrela de cinco pontas representando a Wicca


  • Tipos de signos


    Pierce designou a existência de dez tricotimas e sessenta e seis classes de signos, algumas delas não foram suficientemente detalhadas por ele, o que se restringiu a segunda Tricotomia dos Signos conforme a relação entre o signo e o objeto.


    Ícone

    Representa o objeto por similaridade, possui as mesmas características que o objeto. Mantém o mesmo significado mesmo que o objeto desapareça. È um signo revelador.

    Exemplos:
  • Um quadro abstrato
  • A escultura de um homem
  • A fotografia de uma paisagem
  • Desenho de uma mulher
  • Índice

    Funciona indicando uma outra coisa com a qual está ligado, não por semelhança, mas por proximidade. È como uma marca. È um signo repetidor.

    Exemplos:

  • Um dedo apontando alguma coisa
  • Uma batida na porta
  • Fumaça
  • Um cata-vento
  • Rastros, pegadas
  • Símbolo

    Não tem relação com a coisa representada. Têm um índice como parte dele e um ícone também. É um signo mental.

    Exemplos:

  • A cor verde como símbolo da esperança
  • A cor vermelha significando paixão
  • Todas as palavras, livros, frases.
  • Uma senha
  • Retrospectiva Histórica da Semiótica

    Grécia: medicina

    Para Platão:
    –Signo (semeion)
    –Significado (semainómenon)
    –Objeto (pragma

    Trata-se de estabelecer as relações entre signo, seu significado e o fato específico. Somente no Séc. XIX, Peirce retoma o estudo desta relação entre esses 3 conceitos . Aristóteles utilizou várias noções relacionadas à semiótica, como “doutrina dos signos”, “arte dos signos”, “arte dos signos”(semiotiké), “signos” (sema ou semeion), etc.

    Já na idade média se desenvolveu uma ciência dos signos, uma “scientia sermocinalis”, que envolvia a gramática, a lógica, e a retórica, e adotava uma posição muito próxima a teoria anterior da antigüidade.

    Na transição da idade média para a idade moderna > poucas alusões.

    As investigações metodológicas de Leibiniz, por exemplo, conduziram às três tramas da semiótica:

    –ars característica
    –ars combinatoria
    –ars inveniendi

    A semiótica se aperfeiçoou especialmente nas escolas de medicina. Elaborou-se um sistema médico dos signos (Reimers, 1983), em conexão com a filosofia grega. Desta forma a medicina tentava identificar e interpretar os signos.

    Formas atuais da teoria dos signos

    A Semiologia surgiu das ciências lingüísticas.

    A Semiótica, no sentido atual da palavra, surgiu do pragmatismo americano.

    quarta-feira, 29 de abril de 2009

    Quais são os "tipos de semiótica?"

    1- Semiótica peirceana (Peirce) Foco de atenção: universalidade epistemológica e metafísica. Nas palavras de Santaella: "uma teoria sígnica do conhecimento que busca divisar e deslindar seu ser de linguagem, isto é, sua ação de signo".

    2- Semiótica estruturalista/Semiologia (Saussure; Lévi-Strauss; Barthes; Greimas) Foco de atenção: signos verbais.

    3- Semiótica russa ou semiótica da cultura (Jakobson; Hjelmslev; Lotman) Foco de atenção: linguagem, literatura e outros fenômenos culturais, como a comunicação não-verbal e visual, mito, religião.

    O que é semiótica?



    Semiótica é o estudo dos sinais e práticas significativas, criação do lingüista suíço Ferdinand de Saussure e pragmatista norte-americano Charles Sanders Peirce.

    Eles trabalharam para compreender melhor a forma como certas estruturas foram capazes de produzir significado em vez de trabalhar sobre a questão do significado tradicional propriamente dito. O trabalho de Saussure sobre semiótica é o mais conhecido, e ele alegou que não houve relação entre o que carrega o significado (o significante, geralmente uma palavra ou símbolo) e do real significado, que é realizado (o significado). Por exemplo, a palavra "carro" não é realmente um carro - o significado de carro poderia ser exercido por qualquer seqüência aleatória de letras. As idéias de Peirce sobre semiótica distinguiu entre três tipos de signos: ícone, índice e símbolo. Seja um sinal pertencente a uma categoria ou outra, depende da natureza da sua relação entre o sinal em si e o real significado. Um ícone é um significado, que é baseado na semelhança ou aparência (por exemplo, semelhanças na forma). De acordo com Pierce, ícones são "o único meio de comunicar diretamente uma idéia." Um índice é um significado com base em alguma relação causa e efeito: "Porque o sinal é entendido indexical para ser ligado ao verdadeiro objeto, ele é capaz de fazer esse objeto conceitualmente presente ".

    O sistema de Saussure é adequado à linguagem e os textos, na sua maior parte, mas o de Pierce tem uma aplicação mais ampla, incluindo não só língua, mas também as artes visuais. Um conceito importante na semiótica é que os sinais e significado são ilimitados. Chamado "semiose ilimitada", este princípio deixa claro que um sinal ou conjunto de sinais pode tomar o lugar de algum outro sinal ou conjunto de sinais em um processo teoricamente infinito. Se isso não fosse possível, então artistas acabaria por esgotar-se de sinais com os quais a transportar significado, e isso seria o fim da própria arte.